Inevitável é não dar as costas ao prometido
Sua sedução e suas promessas de uma vida melhor
longe do peso da cobrança de um compromisso firmado
em relações defasadas
Inevitável é dar ouvidos a todo o nosso trato
E assinar o contrato sem visualizar o conteúdo
Só a tua forma me bastava.
Imagens sensoriais, na pele e nos lábios,
alegorias do poema que fugiu da prisão das linhas da folha de caderno
E solto, caiu no chão sem ter onde se segurar,
lançou-se além do limite pensando poder voar.
Será essa a vida?
Amarra sofrida, Poesia em grades ?
De que me adianta o pôr-do-sol,
se minha boca sedenta não pode provar do sabor doce
e ao mesmo tempo amargo do crepúsculo das tardes ?
Tais promessas de fugas de mochila nas costas e coração no mundo,
com a visão no agora, e o toque da sua mão na minha,
o teu cheiro no meu cheiro, o meu beijo no teu beijo,
o teu sexo no meu sexo, teus complexos diante aos meus complexos
Tais promessas de uma vida longe de toda a minha mesquinhez
a minha insegurança em amar a minha condição de pássaro de asa quebrada
que tenta ser predador
Jogue fora por mim, na lixeira dos teus anseios egóicos
Pois pássaro engaiolado sou
Cego de asa quebrada
E tu fostes meu alpiste.
E de ti alimentei-me com o tesão da vida,
com o fulgor dos predadores estraçalhando suas presas
E você queria que eu te comesse,
e a cada bicada no teu alpiste eu me sentia menos preso e menos presa.
E mais predador, e mais digno, e mais iluminado, mais felizardo,
mais liberto dessa gaiola que me separa do universo
e mais corajoso pra voar o mais alto que puder,
para provar do mesmo alpiste em outros confins
desta divina aventura que é ESTAR VIVO!
E tal como o filho de Dédalo, queimei minhas asas de cera
(que nem ao menos são legítimas!)
ao almejar o mais alto do Céu.
E despenco ao solo, despatriado, longe da tua boca que almeja bocas mais sofridas,
que a teu ver transparecem a sensualidade das dores do viver
E caio só em meio ao nada, cego de asa quebrada
Com tua voz dizendo do seu amor em meu ouvido.
Lembranças são o que me restam, torturas do Tártaro dos pássaros engaiolados
Que os alimentam com alpiste no crepúsculo de suas almas.
terça-feira, 13 de maio de 2014
terça-feira, 29 de abril de 2014
Carne nova.
O mundo é seu inimigo.
Declarado ou não.
Todos querem tua cabeça em uma bandeja. Vivo ou morto.
Ou um mero morto-vivo, sem ideais, visão ou noção de objetivo.
Todos são adversários.
Teus amigos olham por ti mas também correm pra chegar primeiro.
O que vale não é a intenção.
Um moedor de carne humana fatia os que ficam para trás, te apoiam, mas confie em ti apenas !
Quem faz do companheirismo morada da alma, jaz na terra cega.
Você é o louco contra o mundo.
Firme teus pés na lama primeiramente, antes de firmar teus pés no que apontam como fato.
Teu instinto que guie o teu ato, não o bom-senso que lança todo dia carne nova ao buraco.
Que a loucura seja teus pés, a vontade tuas mãos, e o discernimento teus olhos que encaram de frente o inimigo.
Você e ele.
Vivo ou morto. Se assim for preciso.
Declarado ou não.
Todos querem tua cabeça em uma bandeja. Vivo ou morto.
Ou um mero morto-vivo, sem ideais, visão ou noção de objetivo.
Todos são adversários.
Teus amigos olham por ti mas também correm pra chegar primeiro.
O que vale não é a intenção.
Um moedor de carne humana fatia os que ficam para trás, te apoiam, mas confie em ti apenas !
Quem faz do companheirismo morada da alma, jaz na terra cega.
Você é o louco contra o mundo.
Firme teus pés na lama primeiramente, antes de firmar teus pés no que apontam como fato.
Teu instinto que guie o teu ato, não o bom-senso que lança todo dia carne nova ao buraco.
Que a loucura seja teus pés, a vontade tuas mãos, e o discernimento teus olhos que encaram de frente o inimigo.
Você e ele.
Vivo ou morto. Se assim for preciso.
domingo, 6 de abril de 2014
Dicotomia.
Dicotomia da razão !
Eis o Homem, entre o falo e o coração !
Nada mais que parte dos impulsos
ditados por dois órgãos autônomos de si,
criatura maldita
Erigido pelo desejo
e bombeado pela recusa
Eis o Homem, entre o cortejo da fêmea
e o brincar de coruja !
Eis o Homem, entre o falo e o coração !
Nada mais que parte dos impulsos
ditados por dois órgãos autônomos de si,
criatura maldita
Erigido pelo desejo
e bombeado pela recusa
Eis o Homem, entre o cortejo da fêmea
e o brincar de coruja !
domingo, 30 de março de 2014
Manifesto manifesto.
Apresento-vos meu manifesto poético !
O poema-vivo, manifesto
nas entrelinhas de vossas vivências
Doutrinas não regam os jardins do poeta liberto
pois a vivacidade não brota sobre raízes mortas
O poema é um anjo e um demônio
Cada palavra transcrita,
um membro dissecado das duas criaturas em seus alicerces
o que lhes arranca as asas.
o que lhes arranca o chão.
Transcendência !
A felicidade trepando com a ilusão.
concomitâncias poéticas contraditórias segundo a lógica dos sentenciadores
E perfeitamente convincente para quem sente em si as dores
Vivaz ! Louco ! Fugaz !
Três vivas ao Poema que se faz vivo !
Viva ! Viva ! Viva !
Pândegas da morte faz quem dele se aviva.
O acaso é a fonte da transitoriedade dos fatos
Você é um fato, e um feto
[fecundado pelo acaso
Transitório pela Casa.
Sombra incerta é o final
piada satânica de Deus
Heiamos de pandegar, viver até morrer
Nos embriagando da ocasião, fazendo vivo o poema dos sem-vida
Que por si só é morto, eis que aqui vos anuncio a redenção:
Dentro de si mesmos.
O poema-vivo, manifesto
nas entrelinhas de vossas vivências
Doutrinas não regam os jardins do poeta liberto
pois a vivacidade não brota sobre raízes mortas
O poema é um anjo e um demônio
Cada palavra transcrita,
um membro dissecado das duas criaturas em seus alicerces
o que lhes arranca as asas.
o que lhes arranca o chão.
Transcendência !
A felicidade trepando com a ilusão.
concomitâncias poéticas contraditórias segundo a lógica dos sentenciadores
E perfeitamente convincente para quem sente em si as dores
Vivaz ! Louco ! Fugaz !
Três vivas ao Poema que se faz vivo !
Viva ! Viva ! Viva !
Pândegas da morte faz quem dele se aviva.
O acaso é a fonte da transitoriedade dos fatos
Você é um fato, e um feto
[fecundado pelo acaso
Transitório pela Casa.
Sombra incerta é o final
piada satânica de Deus
Heiamos de pandegar, viver até morrer
Nos embriagando da ocasião, fazendo vivo o poema dos sem-vida
Que por si só é morto, eis que aqui vos anuncio a redenção:
Dentro de si mesmos.
quarta-feira, 26 de março de 2014
Circo Voador.
Sob as luzes da Lapa
não enxergo nada
além dos Arcos
Tudo me parece um circo
que voa Alto
a platéia são os indigentes
a calçada suja é o meu palco
bem-vindo seja ao espetáculo
pague e dispute lugar com os ratos
Financie o meu show
com um pouco de sua boa vontade
Na cidade maravilhosa
de nome Fome
teus palhaços se devoram
pois a tempos não comem
Fazem estripulias
é o mega circo dos horrores
vendem as suas filhas
em troca de míseros favores
É o mega circo dos horrores
Financie o meu show
pague com a hipocrisia
de quem nunca errou...
não enxergo nada
além dos Arcos
Tudo me parece um circo
que voa Alto
a platéia são os indigentes
a calçada suja é o meu palco
bem-vindo seja ao espetáculo
pague e dispute lugar com os ratos
Financie o meu show
com um pouco de sua boa vontade
Na cidade maravilhosa
de nome Fome
teus palhaços se devoram
pois a tempos não comem
Fazem estripulias
é o mega circo dos horrores
vendem as suas filhas
em troca de míseros favores
É o mega circo dos horrores
Financie o meu show
pague com a hipocrisia
de quem nunca errou...
segunda-feira, 24 de março de 2014
Sangue e mel.
Em meus dedos
a face dos meus medos
na ponta da caneta
a tinta preenche o vazio do papel
que é da alma o espelho
Escasso é o espaço entre a terra e o céu
Mas nestas linhas
onde o poeta caminha
me seguro nesse muro que alinha uma a outra
Eu sei que a vida é louca, ao mesmo tempo pouca
e já rouca ela grita por menos sangue, mais mel...
a face dos meus medos
na ponta da caneta
a tinta preenche o vazio do papel
que é da alma o espelho
Escasso é o espaço entre a terra e o céu
Mas nestas linhas
onde o poeta caminha
me seguro nesse muro que alinha uma a outra
Eu sei que a vida é louca, ao mesmo tempo pouca
e já rouca ela grita por menos sangue, mais mel...
sábado, 22 de março de 2014
Devaneios.
Quero morrer bem cedo
só pra saber
o que tem do outro lado do espelho
E escapar dessa mania humana
de matar a si próprio de joelhos
Pra escapar de toda essa malícia
que assola cada célula nossa
Que cada uma vire pó e só assim
eu me torne melhor do que sou
agora...]
Nada sou agora
Só uma peça imposta
produto expelido das feridas de alguém
que brinca e brinda os copos
se embebedando nos devaneios de sua própria criação
Sou a incógnita...
a loucura das mentes empodrecidas de fé e razão
Tamanho lascivo e tentador
mal é este que me acompanha
Que me vicia, que me iluda
Jesus Cristo, Buda
Oh tortura ! São a mesma criatura
São todas elas em seu acesso de loucura:
O espelho
o joelho
o devaneio
a ferida
a incógnita
a dúvida...
Pois se há uma ordem estabelecida em meio a tanto caos
seria a ordem em si, produto de todo esse Mal...
só pra saber
o que tem do outro lado do espelho
E escapar dessa mania humana
de matar a si próprio de joelhos
Pra escapar de toda essa malícia
que assola cada célula nossa
Que cada uma vire pó e só assim
eu me torne melhor do que sou
agora...]
Nada sou agora
Só uma peça imposta
produto expelido das feridas de alguém
que brinca e brinda os copos
se embebedando nos devaneios de sua própria criação
Sou a incógnita...
a loucura das mentes empodrecidas de fé e razão
Tamanho lascivo e tentador
mal é este que me acompanha
Que me vicia, que me iluda
Jesus Cristo, Buda
Oh tortura ! São a mesma criatura
São todas elas em seu acesso de loucura:
O espelho
o joelho
o devaneio
a ferida
a incógnita
a dúvida...
Pois se há uma ordem estabelecida em meio a tanto caos
seria a ordem em si, produto de todo esse Mal...
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