terça-feira, 29 de setembro de 2015

O Demiurgo e a Abelha.




A tempos, há templos
onde podemos de mãos livres
inventarmos seus tetos
Seu chão nasce do botão das flores
habituadas a deles brotar
sabem dar aula a seus professores
Posso ficar no templo
pelo tempo que me for dado
por cada tijolo sagrado
erguido aos deuses
residentes
E eles me darão água,
vida longa e pólen
e eu inalo sempre que tudo
parece finito
As paredes são abelhas
Por essa razão meu templo
voa
e o seu não
Voa para buscar mel no
jardim dos campos elísios
E nada amistosas a quem
lhes são ameaça
dão a vida pela
longevidade da nossa morada
Teu ferrão destituído do corpo, o fim lento...
Teus deuses lhes serão justos na morte
Faço do meu teto a glória
de cada abelha
que em sacrifício pelo que rumou ao nascer
Voou mais elevado que o templo
e beijou o Demiurgo.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Cosmicidade.




Menina indecisa
quanto há de espaço
entre minha boca e teu medo?

Antes vivo que feliz solitário
Vem aqui pra eu te mostrar
meu atalho pro Sol

Pra quê desperdiçar olhos a relógios atrasados?

Quero galgar pedras cósmicas
pois gravito na órbita da tua singularidade
Que há de tolo na dádiva da vontade?

Há fissuras no coração congelado
dos que ousaram tentar

Moça, nossos peitos são frios por indução
Subverto o Juízo com fogo
E te queimo em mim.

domingo, 3 de maio de 2015

Paradigma.


De tanto fugirmos da manada
criamos uma pra nós
De novo sentido e direção
mas mesma obstinação
em sobreviver e vagar

Sejamos dignos de andar em círculos
desde que tenham sido tracejados
por mãos que não sejam as deles

Toda novidade é linda e bem-vinda.
Que venha e floresça
não se abstenha e amadureça
até que envelheça e apodreça.

E o círculo que antes era luz para a manada perdida
Se torne cinzas deixadas pra trás
por outros como nós

E os contornos no solo para o trajeto escolhido
Darão logo nova direção e sentido
para todo aquele que foge
de sustentar nas costas o peso
da nossa própria humanidade.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Terra da Minha Cabeça.



Eu me lembro
de quando era criança
e desenhava espécies de dinossauros
que só existiram nos meus cadernos
Se misturavam a dragões,
aventureiros do deserto
e patos falantes
Todos habitantes
de Terra da Minha Cabeça
em seu Hábitat inatural
Hoje ainda os vejo
passeando no quintal aqui de casa
E o Senhor Pato, desde sempre educado
quando me dá "bom dia"
sempre me fala que uma vez aberta
Minha Cabeça vira vernáculo de sonhos
Tentáculo de um tempo bom
em que um pato não precisava me provar nada.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Diagnóstico.


Cara-de-pau pra evitar pau na bunda
Nada contra quem goste
mas a minha pede isenção do castigo
Vim ao mundo
sem saber se estava virada pra lua
Cada um que tome conta da tua !

Rogo o direito a ser guarda-costas
ante as palmadas de vara verde
Que a mamãe Burocracia me dá
Não aprendo na porrada, desista
O que eles querem é meu cu na pista !

Cara-de-pau vem a frente
pra que não me peguem por trás
desprevenido
E façam o que fazem a essa gente
em perigo
Nos hospitais só há pomada e palmada
pro mesmo diagnóstico: 
nasceu fodido.