segunda-feira, 4 de abril de 2016

Mosca radioativa.



Começo pelas bordas
como boa mosca posta
no seu caviar mais valioso
Intrometida nas zonas
instituídas aos intestinos
Sanitários revestidos
por diamantes
Larva intrusa
Minha doença em profusão
por onde as pernas pousam
Salões de gente chique
Pousadas milionárias
onde rato não anda
Propago a praga
que se alastra nos corredores
Celebridades convulsionando
ao ingerir o pó de minhas asas
Mosca radioativa
Dou meu abraço de Antrax
na velha burguesa carente
Epidemia na zona sul carioca
Ipanema sitiada
Copacabana sem bacanas
muvuca na Tijuca
Os ovos novos eclodem
e a tendência é piorar
Cuidado, Rio !
Soltaremos nas ruas
o vírus que dá só nos ricos
Cautela, favela !
Logo irão caçá-la pela cura
ou pela falta dela
Peripécias brilhantes
Eu e meus amigos vermes
tomaremos em breve
a tua mansão
sem permissão
Aplauda uma mosca
e outras virão
Sou a primeira de muitas.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Botões apertados.




Quando o óbvio
se torna pouco eficaz,
o necessário vira artigo
de meio expediente
(conveniente)
e os botões apertados
não refletem
o impulso avulso
dos dispositivos que buscam
moldarem os próprios sistemas
É quando a roda duplica
de tamanho
e gira mais veloz,
em rotações
por períodos mais curtos
Enquanto travas e chaves
no intento de pará-la se partem
A roda gira, 
esfera com vísceras
de homens que cujas mãos
sublimaram a máquina
Confiando no método,
desprezando a carência
delimitando as ferragens
Das espirais sucessivas
que agem dando valor e função
na progressão das coisas.