terça-feira, 29 de setembro de 2015

O Demiurgo e a Abelha.




A tempos, há templos
onde podemos de mãos livres
inventarmos seus tetos
Seu chão nasce do botão das flores
habituadas a deles brotar
sabem dar aula a seus professores
Posso ficar no templo
pelo tempo que me for dado
por cada tijolo sagrado
erguido aos deuses
residentes
E eles me darão água,
vida longa e pólen
e eu inalo sempre que tudo
parece finito
As paredes são abelhas
Por essa razão meu templo
voa
e o seu não
Voa para buscar mel no
jardim dos campos elísios
E nada amistosas a quem
lhes são ameaça
dão a vida pela
longevidade da nossa morada
Teu ferrão destituído do corpo, o fim lento...
Teus deuses lhes serão justos na morte
Faço do meu teto a glória
de cada abelha
que em sacrifício pelo que rumou ao nascer
Voou mais elevado que o templo
e beijou o Demiurgo.